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União Europeia proibirá a importação de bens fabricados em áreas desmatadas

União Europeia proibirá a importação de bens fabricados em áreas desmatadas

No dia 16 de maio de 2023, o Conselho da União Europeia aprovou Regulamento que proíbe a comercialização, importação e exportação de determinados produtos derivados de áreas de desmatamento e/ou degradação ambiental nos países do bloco.

A nova legislação visa combater o aquecimento global e preservar a biodiversidade animal e vegetal, bem como os direitos humanos das comunidades originárias dessas regiões.

  •  Como funcionará?

Poderão ingressar livremente nos países da União Europeia apenas os produtos originários de terras que não tenham sido desmatadas após 31 de dezembro de 2020, que serão denominados “produtos livres de desmatamento”.

Produtos originários de áreas desmatadas terão sua comercialização proibida no bloco, incluindo aqueles que são fabricados a partir desses produtos.

A Comissão Europeia determinará o nível de risco dos países, que serão classificados como “risco alto”, “risco médio” ou “risco baixo” em razão do grau de desmatamento e degradação florestal, da expansão do uso de terras nas principais commodities e das tendências observadas, com base nos dados disponíveis, alertas de ONGs e outras de fontes internacionalmente reconhecidas.

  •  Quais produtos proibidos de ingressar na União Europeia?

Inicialmente, os seguintes produtos foram apontados como sendo originários de áreas de desmatamento terão seu ingresso proibido na União Europeia:

  • Óleo de palma;
  • Madeira;
  • Café;
  • Cacau;
  • Carne bovina;
  • Borracha; e
  • Soja.

Produtos fabricados com as commodities acima (p.ex. móveis, cosméticos e chocolates) também não poderão ser exportados para a União Europeia.

  •  Quando terá início a proibição?

O Regulamento entrará em vigor em 20 dias contados de sua publicação, que ainda não ocorreu. A proibição de importação terá início 18 meses após a entrada em vigor do Regulamento para as empresas em geral e 24 meses após a entrada em vigor do Regulamento para pequenas e médias empresas.

  •  Quais são as implicações para as exportações do Brasil?

A nova legislação europeia sobre desmatamento afetará diversos exportadores brasileiros, que não poderão exportar suas mercadorias para os países do bloco, visto que: (i) a Amazônia e o Centro-Oeste poderão ser consideradas como regiões desmatadas para fins do regulamento europeu; e (ii) a pauta de exportações para a União Europeia contempla commodities proibidas, como soja e carne bovina, bem como produtos fabricados com esses commodities, como carne processada.

  •  O que os produtores e exportadores brasileiros podem fazer?

As empresas brasileiras que fabricam e/ou exportam produtos para a União Europeia devem passar a adotar medidas para contribuir com as políticas públicas para evitar o desmatamento e a degradação florestal como forma de diminuir o risco do país nos termos dos reguladores europeus, além de mapear e registrar todos os insumos e todas as etapas de sua cadeia de produção.

Empresas que utilizam em sua cadeia produtiva os commodities cuja entrada será proibida deverão demonstrar que os mesmos não são fabricados em áreas desmatadas ou com degradação ambiental.

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Luna Coelho

Estudante de graduação pela Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FDRP-USP), com conclusão prevista para dezembro de 2026. É membro ativa da rede Women Inside Trade (WIT) como WIT Starter, participando sobretudo na pesquisa, produção e edição do podcast da rede.

Bruna Atala

Attorney with a law degree from the Pontifical Catholic University of São Paulo (PUC-SP) and a postgraduate degree in Civil Procedure from Fundação Getulio Vargas (FGV LAW). During her studies, she served as a researcher and oralist on PUC-SP’s team in the Philip C. Jessup International Law Moot Court Competition (2020), and her undergraduate thesis in International Law received an honorable mention.

Bernardo Ribeiro

Mestre e bacharel pela Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FDRP/USP). Como advogado já representou empresas e associações, nacionais e estrangeiras, em casos de Defesa Comercial, Alteração Tarifária, Regime de Origem e Direito Aduaneiro. Contribuiu para o Online Repository of Contributions to the Policy Hackathon on Model Provisions for Trade in Times of Crisis and Pandemic da ONU. Foi presidente do Núcleo de Estudos de Direito Internacional de Ribeirão Preto (NEDIRP).

Karla Borges Furlaneto

Partner at BFSA, Karla advises and counsels companies and associations in international economic law, with an emphasis on international trade issues, international contracts, investments, and other matters related to foreign trade.

Throughout her career, she has been involved in a wide variety of business and legal issues, both in Brazil and in foreign jurisdictions.

Her work as a lawyer has been recognized as Who's Who in International Trade (2022).

With an extensive professional trajectory, Karla has experience in matters such as: leading multidisciplinary teams; taking part in management committees and councils of public-private entities and groups; supervising and issuing strategic opinions in studies; analyzing and defending clients on issues related to international trade and investments, international law and governmental relations.

She graduated from the Universidade Estadual de Londrina (UEL), holds a masters’ degree in International Relations from the Fletcher School of Law and Diplomacy and a Ph.D. in International Trade Law from the Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

A scholar of international law and international trade, she is a law professor at ESPM, was a researcher and director of the Instituto de Direito do Comércio Internacional e Desenvolvimento - IDCID, linked to USP, a Fundação Ford scholar, and more recently a researcher at the Centro Brasileiro de Relações Internacionais - CEBRI. She has published several articles and book chapters.

Fernanda Sayeg

Partner at BFSA, Fernanda Sayeg advises and represents companies and entities in the areas of International Trade Law, Customs Law, and Economic and Competition Law.

She has worked in large Brazilian law firms representing Brazilian and foreign clients in trade defense investigations, either before the Brazilian government or abroad, in matters related to import taxes, international contracts, and customs law. She also has extensive experience in administrative proceedings and concentration acts in the Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).

She holds a Bachelor's Degree in Law, a Master's Degree in International Law, and a Ph.D. in International Law from the Universidade de São Paulo (USP), and a specialist in international trade and investments from the Facultad de Derecho - Universidad de Buenos Aires (UBA). She took part in the Complementary Training and Research Program on International Trade at the Brazilian Delegation to the World Trade Organization (WTO) and other Economic Organizations in Geneva.

She was a researcher and director of the Instituto de Direito do Comércio Internacional e Desenvolvimento - IDCID, linked to USP. She is currently a professor in MBA and post-graduate courses, with emphasis on international trade law, customs law, and taxation. She is also the author of several academic articles and book chapters.

Her work as a lawyer has been recognized in publications such as Who's Who, Chambers and Partners, Análise 500, and by the Brazilian government, which appointed her as a panelist at the Dispute Settlement Body of the World Trade Organization (WTO) (2017 to 2020).

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Fernanda Sayeg

Partner at BFSA, Fernanda Sayeg advises and represents companies and entities in the areas of International Trade Law, Customs Law, and Economic and Competition Law.

She has worked in large Brazilian law firms representing Brazilian and foreign clients in trade defense investigations, either before the Brazilian government or abroad, in matters related to import taxes, international contracts, and customs law. She also has extensive experience in administrative proceedings and concentration acts in the Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).

She holds a Bachelor's Degree in Law, a Master's Degree in International Law, and a Ph.D. in International Law from the Universidade de São Paulo (USP), and a specialist in international trade and investments from the Facultad de Derecho - Universidad de Buenos Aires (UBA). She took part in the Complementary Training and Research Program on International Trade at the Brazilian Delegation to the World Trade Organization (WTO) and other Economic Organizations in Geneva.

She was a researcher and director of the Instituto de Direito do Comércio Internacional e Desenvolvimento - IDCID, linked to USP. She is currently a professor in MBA and post-graduate courses, with emphasis on international trade law, customs law, and taxation. She is also the author of several academic articles and book chapters.

Her work as a lawyer has been recognized in publications such as Who's Who, Chambers and Partners, Análise 500, and by the Brazilian government, which appointed her as a panelist at the Dispute Settlement Body of the World Trade Organization (WTO) (2017 to 2020).